Paulo gostava de abajures. Daqueles que possuem uma corrente para acender a luz. Às vezes, à noite, curtindo a sua solidão depois de muitos cigarros fumados e um entusiasmado jogo de futebol, Paulo poderia ficar acendendo e apagando o abajur durante horas. Paulo gostava tanto de abajures que começou a se sentir obrigado a cada vez que saísse de casa a comprar um novo. Não que saísse muito, mas sua obsessão por abajures passou a ficar tão descontrolada que ele passou a sair de casa com muito mais frequência, tanto que agora ele passa mais tempo na rua procurando abajures novos do que puxando a corrente do antigo. Poderíamos dizer que a vida de Paulo é uma vida iluminada. Até porque Paulo agora é um homem do dia, pois é o horário, infelizmente, que as lojas de abajur estão abertas.
Nos próximos dias em que Paulo chegar em casa, ele não encontrará espaço para andar, devida a quantidade enorme de abajures pela sala, pelo quarto, até mesmo nos banheiros, tomando os lugares na banheira, na pia, no bidê. E quando não houve mais espaço para novos abajures, uma nova luz se acendeu na vida de Paulo.

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