segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Pintando o 7





Pois é, eu também gosto de pintar o 7.
Nada profissional, nenhuma exposição, é um momento só meu, sem pretenções, uma maneira de me encontrar. Quem sabe o reflexo da minha alma. Só pros amigos.











 







 







sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

AS LEIS DA ARQUITETURA

LEI DO LOTE ESTREITO
Em todos os lotes falta um metro de largura.

LEI DO TOPÓGRAFO
Dois levantamentos topográficos de um lote nunca são iguais.
Corolário: Se existe um só levantamento este é confiável. Se existem dois...Nenhum é confiável.

LEI DO BI-PROJETO
O cliente que necessita ampliar a garagem e construir um grande edifício, somente construirá a garagem.

LEI DO CARTOON
Se um cliente chama "desenhinho" ao anteprojeto, ele não vai querer pagá-lo.

LEI DA CERÂMICA
Nenhuma cerâmica de 20 x 20 mede 20 x 20.

LEI DO CAMINHÃO
Sempre que se vai verificar uma entrega de materiais, dirão que "o caminhão já saiu para entregar"

LEI DO "NIGUÉM SABE"
O cliente nunca sabe o que quer.
O arquiteto tampouco sabe o que quer o cliente.
O cliente nunca entende o que quer o arquiteto.
Corolário: O projeto nunca reflete o que quer o arquiteto, nem o que quer o cliente.

LEI DA BUSCA
Não importa que seu projeto fique em um local escondido; se for um mau projeto, todos irão encontrá-lo

LEI DO VIZINHO
Se no lote vizinho existe um edifício de "N" pavimentos, no seu terreno será permitido "N - 2". Se seu edifício tem "N" pavimentos, seu vizinho poderá construir "N + 2"

LEI DO PRONTO
Se um cliente solicita uma modificação de projeto, diga que é impossível de ser realizada: depois estude o caso.

LEI DO TEMPO A FAVOR
Demore a realizar o detalhamento e não será preciso faze-lo.


LEI DO EGO
Se quiser um bom projeto, utilize o material adequado.
Se quiser que seja publicado, use tijolos de vidro.

LEI DO ELETRODOMÉSTICO
Todas as máquinas de lavar pratos são 5 cm maiores.

LEI DO TEMPO
A temporada de chuvas começa no dia em que se iniciam as escavações.

LEI DO MAL
Não importa a causa: se algo sai mal no projeto o responsável será o arquiteto.

LEI DO AQUECEDOR
Para acomodar um simples aquecedor um closet deverá ser sacrificado.

LEI DA SATISFAÇÃO APARENTE
Se um cliente fica satisfeito:
a) Não entendeu o projeto.
b) Não pagou o projeto.
c) O arquiteto se enganou.

LEI DA TOLERÂNCIA
"Modulação" é um sistema milimétrico para que os elementos fiquem mais ou menos parecidos.

LEI DA EMPREGADA DOMÉSTICA
Se o quarto de empregada está projetado para que caiba uma empregada, o apartamento é velho. Se a empregada não cabe no quarto, o apartamento é novo.

LEI DO CLIENTE-ARQUITETO
O cliente é um arquiteto que não sabe desenhar. Quanto mais caro o projeto, mais arquiteto é o cliente e mais desenhista é o arquiteto.

LEI DO MESTRE DE OBRAS
Os ângulos retos não existem.

LEI DO OLHÔMETRO
Um orçamento nunca é cumprido.
Corolário: se um orçamento é cumprido, alguém cometeu um erro.

LEI DA MEMBRANA ASFÁLTICA
Se uma cobertura não tem goteiras, ...tenha paciência.

LEI DA FALSA ENTREGA
Se o carpinteiro chegou a tempo com os móveis, ele se enganou de obra.

LEI DA OFERTA
Se um tapete está em oferta:
a) É rosa com verde e lilás
b) Tem 2m2 a menos de que é necessário.
c) Já foi vendido.

LEI DO "FICOU"
Nas obras, as coisas não são feitas: elas ficam.
Exemplo: "Ficou torcido", "Ficou curto", "Ficou torto"...

LEI DO CLIENTE FIXO
Se um apartamento foi construído em um local adequado, de tamanho adequado e a um preço adequado:
a) O comprador que gosta do local e do tamanho, não tem dinheiro.
b) O comprador que gosta do local e do preço, acha tudo pequeno.
c) O comprador que gosta do tamanho e do preço, não gosta do local.
d) O comprador que gosta do tamanho, do preço e do local... é você!

LEI DO ÚLTIMO ESTRAGA
O último a executar qualquer serviço em uma obra estraga o serviço do anterior: o marceneiro estraga a pintura, o pintor estraga o piso, o piso estraga o reboco, e assim por diante.

LEI DO INEVITÁVEL
Sempre o último parafuso a ser colocado arrebentará um cano de água.


Do blog:
(http://ogritodoinimigo.blogspot.com/2007_08_01_archive.html)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Feliz Natal!

Hoje passei a tarde com minha mãe e minha avó no super, nós e todos da cidade. Nem preciso dizer que passamos hoooooras, até pra andar estava complicado.
Natal! Esse ano não enfeitamos muito, só uns arranjos e umas velas. O que está valendo é o espírito.
Amanhã estaremos com a família e vamos curtir uma ceia "tropical", nada de peru, frango, ou como disse a Priscila, nem uma codorna. Teremos peixe, camarão e carangueijo (só o mí!!!!!!).
Aproveito pra desejar um Feliz Natal! E que o próximo ano seja cheio de sonhos realizados.
Deixo também a foto da Praça Portugal, pertinho da minha casa, coisa linda de se ver.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Acompanhamento de obra

A coisa que mais me chateia em acompanhar a obra de uma construtora é o fato de ninguém assumir os erros. Vejam, hoje fui ver a obra de uma área comum de um edifício, e o forro de gesso estava feito errado (entre outras coisas). De nada adiantou a planta, cortes e detalhes que enviamos, pois a única coisa que eles olharam foi a altura que definimos o forro. Estava desenhado com todas as vigas escondidas nesse forro, e fizeram com todas as vigas vistas. Será que ninguém viu os "desenhos" que enviamos? E a nota que dizia que era pra conferir as medidas na obra?
Estão cheios de dúvida, mas quando perguntamos onde está o projeto, ninguém tem, ou sabe onde está. Como executam?
É por isso que consideram "só um desenho", pois não o olham, não o estudam, simplesmente vão lá e fazem como lhes dá a gana. E depois dizem que o problema é nosso porque não acompanhamos (o que é mentira).
Nesse caso, se os "desenhos" não servem pra nada, nem pra tirar as dúvidas (o engenheiro disse que o projeto só está na nossa cabeça, que eles não entendem - será mesmo engenheiro?), o melhor seria voltar à idade média onde o arquiteto era o construtor e não havia um projeto a ser seguido, com seus detalhes e especificações.
Isso só passa comigo?

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Texto do Gabriel Wainer - Sou fã.







Paulo gostava de abajures. Daqueles que possuem uma corrente para acender a luz. Às vezes, à noite, curtindo a sua solidão depois de muitos cigarros fumados e um entusiasmado jogo de futebol, Paulo poderia ficar acendendo e apagando o abajur durante horas. Paulo gostava tanto de abajures que começou a se sentir obrigado a cada vez que saísse de casa a comprar um novo. Não que saísse muito, mas sua obsessão por abajures passou a ficar tão descontrolada que ele passou a sair de casa com muito mais frequência, tanto que agora ele passa mais tempo na rua procurando abajures novos do que puxando a corrente do antigo. Poderíamos dizer que a vida de Paulo é uma vida iluminada. Até porque Paulo agora é um homem do dia, pois é o horário, infelizmente, que as lojas de abajur estão abertas.
Nos próximos dias em que Paulo chegar em casa, ele não encontrará espaço para andar, devida a quantidade enorme de abajures pela sala, pelo quarto, até mesmo nos banheiros, tomando os lugares na banheira, na pia, no bidê. E quando não houve mais espaço para novos abajures, uma nova luz se acendeu na vida de Paulo.

Edifício Banco Sul-Americano do Brasil, São Paulo, 1961-63

Meu artigo para o DOCOMOMO Rio, realizado em agosto passado. Foi publicado, e eu ía apresentar, mas faltou dindin, fica pra próxima.

Introdução

Este artigo trata-se da análise arquitetônica do Edifício Banco Sul-Americano do Brasil, resultando do trabalho de “Investigación I”, do Doutorado “Proyectos Arquitectónicos, Línea 1 – La Forma Moderna, ETSAB/UPC (Escuela Técnica Superior de Arquitectura de la Universidad Politécnica de Cataluña)”, com o objetivo de documentá-lo e destacar os aspectos arquitetônicos mais importantes.


O projeto, do escritório Rino Levi Arquitetos Associados, entre os anos 1961-63, é um dos últimos trabalhos com o sócio-fundador, Rino Levi, antes de sua morte em 1965, que nessa época era formada por Rino Levi, de Roberto Cerqueira César e Luiz Roberto Carvalho Franco, sendo este último o responsável direto pelo detalhamento de tal edifício.


É um projeto de grandes qualidades arquitetônicas, com volumes bem proporcionados, boa resolução estrutural e de proteção solar, onde as formas derivam da busca da melhor adaptação ao programa e da sua relação com o espaço construído, justificando assim, o seu estudo e documentação.


Ainda que tenha uma clara vinculação formal com a Lever House (Arquiteto Gordon Bushaft, New York, 1952) é totalmente adequado às condições técnicas, sociais e climáticas de onde está inserido, considerado pelo IPT – Instituto de Pesquisa Tecnológica da Universidade de São Paulo – como o edifício mais eficiente em consumo de eletricidade da Avenida Paulista, pois devido ao tratamento das fachadas com brises, praticamente não é necessário o uso do ar-condicionado.


Hoje é propriedade de outro banco, e há pouco tempo passou por uma reforma para a construção de outros dois subsolos, com o objetivo de ampliar o número de vagas de estacionamento, obra de custo bastante elevado tratando-se de um edifício já construído, mas que foi justificada devido às qualidades intrínsecas do edifício.


Para a realização desse trabalho, além dos livros publicados sobre Rino Levi, foram utilizados os planos originais escaneados desde o arquivo do escritório catalogado na biblioteca de arquitetura da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo), que contava com os estudos prévios, planos do projeto definitivo e inúmeros detalhes, que foram a base para redesenhar o projeto. Não se encontravam as plantas e os cortes do projeto executivo, porém havia os planos que substituíam os planos executivos aprovados: planta baixa, mezanino, planta tipo e coberta. Esses são os planos mais atualizados, mas encontramos alguns pontos que foram modificados durante a construção, podendo-se comprovar através de fotos e de detalhes desenhados posteriormente, além das publicações em livros e revistas. O redesenho foi feito de forma a acercar o mais próximo possível ao que foi construído, e ajudou a conhecer melhor o edifício e descobrir seus pontos importantes no desenvolvimento do projeto.



Organização do programa e decisão volumétrica

O projeto para a sede de um banco, em um terreno de esquina em forma de trapézio, com superfície total de 2.660m2, na Avenida Paulista – hoje considerada o centro econômico e financeiro de São Paulo, foi concebido na época em que para ali se encaminhavam as mais importantes atividades econômicas e também os melhores profissionais liberais, que fugiam da agitação do centro e aproveitando-se dos baixos preços dos terrenos em uma zona ainda predominantemente residencial.


Ao documentar esse edifício, não se pode desconsiderar a visão coorporativa do projeto para a sede de um banco, que como entidade financeira, seguramente ao dia com o que se passava na cidade, e aproveitando-se da permissão de verticalizar a área, incorporou ao projeto um edifício para escritórios, viabilizando a construção de um edifício em altura e dotando de importância o empreendimento.


 Figura 1 – Planta baixa e tipo, do edifício Banco Sul-Americano do Brasil.
Fonte: Redesenhadas pela autora (2007).



O programa foi divido em dois blocos organizados em formas geométricas distintas: o edifício para o banco como base e o edifício torre para os escritórios. Ainda que contabilize apenas 39% da área total se percebe que o banco é a finalidade principal da construção, pois as duas entradas principais, marcadas pelo desenho das jardineiras da calçada na Avenida Paulista e por uma escada na Rua Frei Caneca, estão a ele destinadas; ficando a entrada para o edifício de escritórios hierarquicamente desfavorável na lateral junto ao muro que divisa com uma residência na Avenida Paulista, ainda que tenha recebido um tratamento paisagístico a cargo de Burle Marx.


O banco, de aproximadamente 7.528 m2, está formado por um subsolo (estacionamento de clientes y funcionários, caixas fortes e refeitório), uma planta baixa (salão para o público, micro-filme, programação e vestuários), um mezanino onde se encontra a contabilidade e arquivos, um primeiro andar com a administração, um pavilhão de recepção e jardim no terraço intermediário; além das duas primeiras plantas do edifício torre, também destinadas para escritórios do próprio banco, pois há uma escada e um elevador para funcionários do banco que só aparecem nessas plantas. O edifício de escritórios, com 61% da área total construída do edifício, totaliza aproximadamente 13.345 m2, e se compõe de 14 plantas tipos (sendo 12 independentes do banco), uma portaria na planta baixa e um estacionamento num segundo subsolo.



Figura 2 – Foto externa do edifício construído na década de 60.
Fonte: AA VV: Rino Levi. Milano: Edizione di Comunità, 1974.



O edifício construído reflete a decisão volumétrica de dois volumes sobrepostos, um edifício base, de três plantas, destinado para as instalações do banco, e uma torre laminar, para abrigar o edifício de escritórios; que, além de aproveitar ao máximo o terreno, aumenta o espaço público e humaniza as calçadas, intenção acertada principalmente por tratar-se de um dos primeiros edifícios altos do lugar. O acesso aos subsolos se dá por uma rampa localizada no fundo do terreno, com a entrada perpendicular à Rua Frei Caneca, onde tem menor fluxo de automóveis.

O edifício base


O edifício base tem a forma trapezoidal do terreno, seguindo os recuos estabelecidos pela legislação vigente na época, mas na Avenida Paulista esse recuo foi maior, que o beneficiou quando em 1968 uma lei alarga a avenida em 10m de cada lado, correspondendo aos recuos obrigatórios, fazendo com que este mantenha um recuo em relação à calçada na planta baixa.


O terreno destinado à construção do Edifício Banco Sul-Americano do Brasil não oferece uma boa orientação solar, com grande incidência de sol nas fachadas principais, fato que em um país de clima tropical poderia comprometer o conforto térmico. Para resolver esse problema, as fachadas do edifício estão formadas por esquadrias de alumínio e vidro protegidas por planos de brises, excetuando duas fachadas do edifício torre, que estão completamente fechadas com paredes.






Figura 3 – Detalhes construtivos dos brises e esquadrias do edifício base com foto de referência da planta baixa vista desde a entrada lateral para os escritórios olhando a Avenida Paulista.
Fonte: AA VV: Rino Levi. Milano: Edizione di Comunità, 1974.



No edifício base os planos de brises estão no sentido vertical e horizontal, de acordo com a incidência solar, mas ao estarem dispostas de forma homogenia proporcionam visualmente continuidade volumétrica. Tem uma modulação mais ou menos igual em todas as fachadas, variando em função das diferentes larguras. Estes planos cobrem verticalmente desde a laje do terraço intermediário até o final da janela da planta baixa, não tocando o solo. As esquadrias de alumínio e vidro da planta baixa e do mezanino estão recuadas em relação ao fechamento de brises do bloco, formando um espaço sombreado nas calçadas que valoriza o volume ao dar a sensação de que este está solto do solo, que além de proteger do sol proporcionando um espaço agradável aos pedestres, constitui um espaço de transição entre interior-exterior, dando-lhes continuidade visual e espacial.


Na planta baixa, na zona de atendimento ao público e na portaria do edifício torre há um pé-direito duplo, pois o mezanino só ocupa a parte do fundo e a lateral direita da planta. Isso determina e articula volumes interiores da planta baixa, e valoriza este espaço.


Na primeira planta a esquadria de vidro chega quase ao limite da laje, ficando recuadas 80 cm para a dissipação do calor. Esta planta é iluminada de forma indireta desde o terraço intermediário, onde dois elementos retangulares elevados, mais ou menos no centro do espaço, com jardineiras em cima, têm aberturas fechadas com esquadrias de alumínio e vidro. Ali tem também um pavilhão de recepção do banco abaixo da projeção do edifício torre e um jardim projetado por Burle Marx.


Esse terraço, que chamamos de espaço de transição entre os dois volumes principais, é de suma importância para sua configuração estética, pois, ao independentizar os volumes formando uma sombra entre eles, define e delimita cada um deles, valorizando a forma do conjunto edificado.


A circulação vertical, localizada no lado direito no final do eixo central perpendicular à Rua Frei Caneca, está composta de duas escadas e sete elevadores, formando dois blocos independentes de circulação, um destinado ao banco e outro aos escritórios. O banco conta com uma escada retangular e três elevadores, dois para o público e um exclusivo para funcionários, podendo-se subir desde o primeiro subsolo até a planta primeira, não abrindo, porém, no segundo subsolo nem nos escritórios.


O edifício torre


As maiores fachadas do edifício torre estão paralelas à Rua Frei Caneca, estando este bastante recuado em relação à rua, fato que além de cumprir um caráter estético e de proporção formal, contribui para dar altura ao edifício. Por cálculos e desenhos encontrados nos planos originais, a legislação vigente provavelmente determinava que altura máxima permitida fosse calculada em função da relação do ângulo formado entre o final da rua e suas duas calçadas e a altura do somatório em metros de estes (neste caso 16m, ou seja, 8m da rua mais 4m de cada calçada) multiplicados por 1,5. Segundo essa relação, pode-se ver que quanto mais recuado em relação à rua, mais alto poderia ser. Tal localização forma um pátio lateral no terraço ajardinado que está na cobertura do edifício base.


O edifício torre avança perpendicularmente em direção à Avenida Paulista, até encontrar o recuo obrigatório, ou seja, 10m, mas por trás se mantêm no limite da base. Seu volume alto e retangular está liberado do edifício base, e composto de 14 plantas tipo, uma coberta e mais duas plantas pequenas, continuação do volume da circulação vertical. Os sanitários foram postos nos extremos fechados da planta, abertos para uma galeria de ventilação.


Figura 4 – Detalhe dos planos de brises do edifício torre.
Fonte: AA VV: Rino Levi. Milano: Edizione di Comunità, 1974.


Os planos de brises das fachadas estão estruturados em tubos de alumínio verticais com brises horizontais entre estes módulos. Entre o plano de brises e a esquadria interior há um espaço de 80 cm para a dissipação do calor. Na fachada da Rua frei Caneca os brises estão dispostos em grupos de oito lâminas móveis horizontais, que cobrem da linha superior da laje até a base da última janela móvel, formando linhas horizontais densamente agrupadas que predominam visualmente sobre as verticais, com um pequeno espaço entre cada grupo horizontal, formando uma sombra que marca as catorze plantas do edifício.


Na fachada oposta, os tubos verticais seguem a mesma modulação, interrompida apenas pelo volume da escada. Também há o espaço de 80 cm entre as esquadrias e os brises, mas as lâminas destes estão agrupadas com menos densidade, apenas três lâminas por grupo, com um espaço maior entre elas, mostrando assim a esquadria interior. Tal disposição faz com que as linhas verticais sejam predominantes sobre as horizontais nessa fachada.


As esquadrias interiores, de alumínio e vidro, recobrem toda a extensão das fachadas mais largas do edifício torre. Seguem lateralmente a mesma modulação dos elementos verticais que estruturam os brises, aproximadamente 1.575m. Em altura estão moduladas em três partes iguais, onde as duas superiores são móveis.


Os dois planos menores da fachada, paralelos à Avenida Paulista, são totalmente fechados devido à grande incidência de radiação solar nelas nas tardes de verão. Estão revestidas por placas de mármore, com elementos sobressalentes, que ao projetar uma pequena sombra no plano de fachada, forma um desenho geométrico que corresponde às linhas horizontais formadas pelos brises da fachada voltada para a Rua Frei Caneca, marcando assim, as plantas do edifício. Verticalmente correspondem com a divisão vertical do edifício base.






Figura 5 – Vista da fachada oposta à Rua Frei Caneca.
Fonte: AA VV: Rino Levi. Milano: Edizione di Comunità, 1974.




Para os escritórios a circulação vertical é feita através da escada circular y quatro elevadores, localizados aproximadamente no meio do volume. São acessíveis desde o segundo subsolo até o edifício torre, não abrindo no mezanino e na planta primeira do edifício base, havendo uma portaria independente na planta baixa. O volume circular que abriga a escada está destacado do volume da torre, chega até a última planta e ultrapassa esta em altura, abrigando a torre de resfriamento da água para o ar-condicionado.


Sistema estrutural


A estrutura do Edifício Banco Sul-Americano do Brasil está formada por pilares circulares de concreto armado, distribuídos no edifício base em cinco linhas cujos eixos seguem a modulação x-x-x+1/3x-x, na direção perpendicular à Avenida Paulista, onde “x” corresponde aproximadamente a 7.50m; e seguem a forma trapezoidal do volume nas duas últimas linhas da esquerda. No outro sentido, segue a modulação constante de também 7.50m. As caixas dos elevadores também são estruturais, de concreto armado.


A modulação é variável em razão da estrutura do edifício torre, sendo mais largas as duas linhas de pilares correspondentes a ela, já que devem agüentar mais carga. Seguindo as características desse tipo de estrutura, a medida que pertencem a uma planta mais alta, os pilares vão diminuindo de largura, e estão separados em aproximadamente 3.40m desde o eixo até a fachada, proporcionando que o fechamento do edifício seja livre da estrutura.


As lajes são nervuradas em todo o edifício, e nas bordas do edifício torre têm uma extensão de 80 cm para a fixação dos brises. Supõe-se que há falso teto em todas as plantas, devido a esse tipo de laje. Ao independentizar a estrutura das divisões internas e dos fechamentos das fachadas, o edifício adquire flexibilidade no manejo desses elementos.


Banco Sul-Americano do Brasil x Lever House


Ao observar o edifício do Banco Sul-Americano do Brasil, percebe-se a relação volumétrica deste com o edifício da Lever House, localizado no Park Avenue, New York, projetado pelo arquiteto Gordon Bunshaft do escritório S.O.M., em 1952. Ainda que tivesse um programa distinto, destinado para a sede de uma empresa, sua forma volumétrica se ajusta perfeitamente ao programa do edifício do Banco Sul-Americano do Brasil. O banco, como atividade de maior fluxo de público no volume inferior, base para um segundo volume destinado a escritórios, o volume torre. Assim, as duas atividades poderiam compartir o espaço sem que uma interferisse na outra.


Estes edifícios, localizados em importantes avenidas compartem semelhanças, como a configuração volumétrica acima destacada, e diferenças.


O terreno da Lever House está entre três ruas, estando apenas o fundo limitando com outro terreno. O terreno do Banco Sul-Americano do Brasil está numa esquina, entre duas ruas, com dois lados limitando com terrenos vizinhos.


O edifício base da Lever House, de duas plantas, ocupa todo o terreno, com uma abertura formando um pátio de iluminação, está sobre pilotis e forma dois pátios laterais com duas funções: espaço público resguardado e uma praça prévia à entrada, dotando de importância o edifício. Entre esses dois pátios, a área fechada coincide com a projeção da torre, funcionando como recepção e conduzindo às circulações verticais no fundo. Esse fechamento é de vidro, fazendo que todo o espaço tenha integração visual com os pátios. Esta base está coberta por um terraço ajardinado.


O edifício base do Banco Sul-Americano do Brasil está formado de duas plantas e um mezanino e segue a forma trapezoidal do terreno, mas está recuado em relação aos limites seguindo a legislação existente. Está sobre pilotis, como a Lever House, mas este não forma pátios laterais na planta baixa, pois está ocupada pelo banco, ainda que o fechamento em esquadrias de vidro, recuado dos planos de brises, tenha a intenção de integrar visualmente os espaços interiores e exteriores, transformando as calçadas em uma espécie de caminho agradável aos pedestres.


O pátio lateral aparece no terraço ajardinado que cobre o edifício base, mas somente é um, devido a pouca largura do solar em comparação ao da Lever House. Não há uma abertura de iluminação, mas as duas jardineiras um pouco mais elevadas com esquadrias na base iluminam a primeira planta, sendo clara referência a esse elemento.


A coberta desses volumes foi pensada, nos dois casos, para ser usada. Na Lever House, situam-se um jardim, uma cafeteria e um restaurante. No Banco Sul-Americano do Brasil o espaço foi projetado como um pavilhão para recepções e jardim. Estes espaços também dão valor estético aos edifícios, ao projetar uma sombra entre a base e a torre, diferencia claramente os volumes, equilibrando o conjunto.


A estrutura dos dois edifícios também é diferente. A da Lever House é metálica e a do Banco Sul-Americano do Brasil em concreto armado. Diferenciam-se na disposição com relação á torre, tendo a Lever House três filas de pilares e o Banco Sul-Americano do Brasil duas, mas ambos têm os pilares recuados do limite das fachadas e plantas livres, liberando a distribuição interior e mantendo a unidade visual, já que estas ficam livres da estrutura.


Referências bibliográficas
AA VV: Rino Levi. Milano: Edizione di Comunità, 1974.
ANELLI, Renato; GUERRA, Abílio; KON, Nelson. Rino Levi: Arquitetura e cidade. São Paulo. Editora Romano Guerra, 2001.









COISAS QUE O CLIENTE PRECISA SABER

Recebi um email de uma amiga com umas considerações sobre os profissionais de arquitetura, coisas que até parecem lógicas, lugar comum; mas, por incrível que pareça, a maioria dos clientes e das pessoas não respeitam. E para não ter mais a desculpa de que não sabiam, vou listar:

1- Arquiteto dorme.




Pode parecer mentira, mas Arquiteto precisa dormir como qualquer outra pessoa. Não o acorde sem necessidade! Esqueça que ele tem telefone em casa, ligue para o escritório.



2- Arquiteto come.



Inacreditável, não? Mas é verdade. Arquiteto também se alimenta, e tem hora para isso.



3- Arquiteto pode ter família.



Essa é a mais incrível de todas: mesmo sendo Arquiteto a pessoa precisa descansar no final de semana e precisa de um tempo com a família e amigos, sem pensar ou falar sobre projetos.
Pergunta: Nas situações acima o Arquiteto atende?
Resposta: Sim. Pode atender desde que seja pago por isso. Desnecessário dizer que nesses casos o atendimento tem custo adicional. Por favor, não pechinche. Ah. E cara feia na hora de assinar cheque não diminui o que você tem que pagar. Se você queria pagar mais barato, poderia ter procurado outro arquiteto.
O combinado não é caro.



4- Arquiteto precisa de dinheiro.



Por essa você não esperava, né?
É surpreendente, mas Arquiteto também paga seus impostos, alimentação, combustível, vestuário, etc. E uma coisa bizarra: Os livros, o escritório e as coisas que ele tem não chegam até ele gratuitamente. Impressionante, não?
Entendeu agora o motivo pelo qual ele cobra uma consulta?



5- Ler, estudar é trabalho.



E trabalho sério. Pode parar de rir. Não é piada.



6- Não é possível examinar projetos pelo telefone.



Essa nem vou comentar.



7- De uma vez por todas, para reforçar: Arquiteto não é vidente.



Ele precisa examinar o projeto e muitas vezes precisa reexaminá-lo. Se você quer um milagre, tente uma macumba e deixe o Arquiteto em paz.



8- Em reuniões de amigos ou festas de família, Arquiteto deixa de ser Arquiteto, vira amigo ou parente.



Não comece conversas sobre como ajeitar sua sala ou que cor combina com os móveis do seu quarto. Para isso ele precisa refletir, precisa se concentrar, ou seja, precisa trabalhar. No caso do Arquiteto, criar demanda mais do que a maior parte das pessoas acha.

9- Não existe apenas um desenho.   (essa eu já perdi as contas de quantas vezes já expliquei!!!)



Desenho é representação de projeto, projeto tem que ser pensado, e por sua vez, cobrado.



10- Diante desses tópicos inconcebíveis a uma boa parte da população, algumas dicas para tornar a vida do Arquiteto mais suportável:



10.1- O uso do celular.



Celular é ferramenta de trabalho.
Por favor, ligue apenas quando necessário. Fora do horário de expediente, mesmo que você ainda não tenha acreditado, o Arquiteto pode estar fazendo alguma daquelas coisas que você pensou que ele não fazia, tais como dormir ou namorar, por exemplo.



10.2- Antes da consulta.



Por favor, marque hora.
Se não marcar, não fique andando de um lado para o outro na sala de espera e nem pressionando a secretária. Ela não tem culpa da sua idiotice.
Ah! E não espere que o Arquiteto vá te colocar no horário de quem já marcou. Se tiver fila, você vai ficar por último. Na próxima vez ligue antes.
Só venha sem marcar em caso de emergência (que seja realmente emergência), por favor. Repetir a mesma pergunta mais de cinco vezes não vai mudar a resposta. Por favor, repita no máximo três. O Arquiteto não está sob investigação policial.
Quando se diz que o horário de atendimento é até meio dia, não significa que você pode chegar 11h55min. Se chegar, volte depois do almoço. O mesmo vale na hora do fim do expediente.
Emergência? Claro que o Arquiteto atende, mas se estiver fora do horário normal, está fora do preço normal.



10.3- Na hora da consulta



Bastam alguns membros da família para acompanhar o cliente e responder às perguntas do Arquiteto.
Por favor, deixe os amigos do cunhado e seus vizinhos com os respectivos filhos nas casas deles. Não fique bombardeando o Arquiteto com milhares de perguntas durante o atendimento. Isso tira a concentração, além de torrar a paciência. Evite perguntas que não tenham relação com o projeto.
Infelizmente, a cada consulta, o Arquiteto só poderá examinar um projeto. Lamentamos informar, mas seu outro projeto também terá que passar por consulta e você também terá que pagar por ele. O Arquiteto não deixará de cobrar a consulta só porque você já gastou demais na obra.